Wednesday, July 06, 2016

Ana "poetando"

Uivando ao luar
Dançando no corpo
Pescando amor.

Monday, November 09, 2015

"tem lágrimas de calor por todo o corpo". ele chora ventania.
a água secou e a garganta trava por um gole pequeno.
as pernas lentas e a escada infinita.
o descontentamento.
a desinquietação.
as paredes opressoras.
os filhos seminus rolam no chão.
alento.
alegria que refresca.
o corpo ergue-se.
engulo o ar das janelas.
abro a geladeira e encontro uma limonada.
gelada.
a vida vale a pena.
não há calor que desfaça.

Thursday, March 21, 2013

Quebra-cabeça de amor.
São mil peças reduzidas e similares.
Sensação de incompletude.
Há amor que se complete?
Miúdas construções de amor...
Ventania qualquer desconfigura e espalha dilatadas dores.
São estilhaços. Cortam veias, bocas, pernas. São vastos adjetivos para pouco amor de corpos vagos e roupas sozinhas. A cabeça longe e os olhos em chama. Só a pequena certeza de alegria distante. De novo

Friday, February 08, 2013

Transporta-me...

Leva-me para um lugar de amor. Só amor. Não quero nem vento nem sol. Sem densidades quaisquer. Quero detalhes amenos. Conversas pequenas. Descer um rio levada com calma. Sem atropelos ou represas. É hora de sentir o amor. Deixa-lo ocupar as frestas. Cerzir asperezas. É hora de olhar nos olhos para ler o sentido. Passa o tempo, meu amor...nosso amor ainda está em nós. Sintamos.

Tuesday, January 22, 2013

Sobre contos e cabelos

Sobre contos e cabelos


Agora entendo um pouco mais os contistas. Digo “um pouco” para não lhes diminuir o valor.

As crônicas ou contos nascem, na sua maioria, do cotidiano. Este, o que vou contar, apareceu como grandes e agora pequenos fios... Claros, antes. Hoje, escuros.

O grande barato de escrever é você soltar uma bolha no ar e esperar que alguém a arrebente. Com um toque. Sutil. Você acompanha com os olhos e quando sente, já tocou. Já se tocou. Por acompanhar bolhas no ar, começo a entender os contistas.

Sobre os fios: Fios sugerem uma vasta amplitude metafórica – tudo na vida pode ser tênue como um fio ou duro como um fio. Fios que adornam, ligam, amarram e por fim, dão segurança.
 
Quando comecei a dar conta de como fios de cabelo me eram caros, sempre os juntava antes de jogá-los fora. Media e comparava a quantidade com a vez anterior. Descobri, hoje, literalmente, que lavar a cabeça foi um ato de coragem há uma semana adiado – esta foi a semana na qual mais me caíram os cabelos. E a poesia toda deste conto surgiu dos azulejos brancos do banheiro. O desenho que os fios formavam ao serem grudados na parede, me fascinou. Não sei se porque agora procuro poesia em tudo. Na verdade, sempre gostei de poesia. O desenho poético dos fios na parede. Só fotografia poderia mostrar. Difícil descrever... Alguns retos curtos sobre grandes sinuosos, outros bicolores entrelaçados. Claros e escuros. Enfim, desejo ainda desenhá-los ao invés de descrevê-los.

(Outra poesia: Quando fiz a cintilografia, além do frio do ar condicionado, sentia medo. Vários medos. Medos concretos e abstratos. Com e sem adjetivos. Foi indolor. Só frio. Sem dor física. Quando no final, a Doutora chamou-me. Quis ver as imagens. Saber o prognóstico. Achei tudo muito indefinido, com contornos pouco precisos. Mas, achei lindo! É linda a imagem do Tumor na tela. Policromático e disforme – cores várias, sem contornos próprios e infinitos. Quis pintá-lo numa tela. Como uma poesia).

A queda dos cabelos exemplifica o rompimento do “fio”. Ou da teia dos fios. Escancara a sua fragilidade. Expõe os sentimentos dos outros por você. Limita a sua feminilidade. Reforça o seu apego. “Desdelineia” seu contorno. E se eu falasse do inverso dessas frases? Do lado positivo... Da poesia? Ah! A poesia! Ela é apenas um placebo nestas horas...

Comecei falando de contistas. Juntando o fim ao início, eu diria que contistas, cronistas, poetas e afins sabem desfrutar do “placebo” que é a escrita. Saber contar coisas alegres e tristes é como se beneficiar de uma nova droga, com a vantagem de pertencer ao grupo controle. Aquele que sabe do benefício da droga em teste, mas faz o uso de comprimidos de farinha sem saber. O placebo costuma agir melhor que a droga em si. Assim é escrever, abstrair e criar qualquer coisa. Você acaba, às vezes se confundindo... O que importa, o que não importa...Vai assim, deixando a vida mais leve como bolhas de sabão... Como fios de cabelo no ar...
OBS: Escrevi há exatos 8 anos, quando fazia ivestigação do Linfoma de Hodkin. Adoro meu cabelo. Minha vida. Minha cura!!

Tuesday, October 23, 2012

40

Saudade de um lugar. De tempo esparso. De pessoas que nem eram importantes. De ver o mundo com mais incertezas. Nem sempre é confortável saber o que se quer...pior talvez ter certeza sobre o que definitivamente não agrada. A fruta vai ficando macia...perde o amargo, mas não se sabe ao certo qual o melhor momento de saborear.

Saturday, May 05, 2012

encontro a lua e clareia.
são os fios cintilantes dos seus cabelos -  permeia.
seu rosto claro, o sorriso quase. no céu rara.
halo fascinante, como antes e inquientante.
demais, o fascínio. lua cheia de cabelos esvoaçantes.

Tuesday, September 20, 2011

filhos no mundo

o homem caminha pesado.
leve é seu olhar. esparso.
são duras suas inquietações
flácidos os seus desejos.
filhos no mundo demandam por seu amor.
a mulher procura pelo amor perfeito inexistente.
ele cansado.
ela cansada
e insistentes caminham juntos.

Friday, June 24, 2011

dinossauro

eu devoro todas as coisas do mundo. menos as coisas ruins.
FRANCISCO GODOY

Thursday, October 21, 2010

Clarice

Chegou com o sol no calor do ventre.
A manhã de inverno pediu luz.
E clareou. Clarice.
Frágil flor clara ornada com pedras azuis celeste.
São olhos vagos à procura do amor.
Seres se estranham com anseios de delicadezas.
Oh, linda flor, sua mãe, seu pai e toda árvore crescem á sua sua volta.
Na vastidão desse campo, você há de crescer forte, delicada, clara, regada de água de amor.
CLARÍSSIMA.